

Corpo em frangalhos
Coração em pedaços
Alma destroçada
Olhar embaçado
Mãos gélidas
Vazio
Vazio
Vazio
Nervos de aço
Mente rochedo
Coração resistente
Alma transcendente
Espaço
Espaço
Espaço
Reviravolta o que faço
Busco no fundo a inocência
Acho com dificuldade a Fé
Tiro do baú a pureza
Desnudo-me da arrogância
Retorno
Retorno
Retorno
Meu Eu essencial será por mim traçado
Com esmero
Sem enfeites
Inocente
Puro
Cru
Cru
Cru
Olhar desprovido de amargura
Na boca a dulcíssima ternura
Nos lábios sempre um convite
Mãos macias, ágeis, felizes
Andar maliciosamente infantil
Pés pecaminosamente adolescentes
Pernas torneadas pela sensualidade angelical
Nua
Nua
Nua
Vermelho da paixão pinta minhas faces mulher
Da mesma cor se revestem meus lábios
Repete-se o tom sangue pulsante nas unhas
Quadris malemolentes
Gestos lânguidos
Mulher
Mulher
Mulher
Meu Eu feminino pede passagem
Suspiros de vontade
Fala mansa de desejo
Gueixa que fascina
Sons saindo da vagina
Cio perfumando o ar
Amar
Amar
Amar
Saio das cinzas da saudade
Removo as fuligens da solidão
Unto minha pele de desejo
Beijo
Beijo
Beijo
Sou toda tesão
Pré-gozo
Fêmea que até a mim seduz
Percebo a magnitude do macho
Amoleço só de pensar
Renasço
Renasço
Renasço
Tomo consciência da liberdade de ser
Despojo-me do jogo do ter
Sucumbo ao poder da carne
Agora só sentimentos
Instintos
Todos sedentos
Dentro
Dentro
Dentro
Fora tenho perfil amante
Cheiro de suor e esperma
Ofereço a você a nova era
Que das cinzas eu com meu Eu fiz surgir
Entra
Entra
Entra
Fica inteiro em mim
Vamos fazer amor
Ser cumplicidade
Amantes em comunhão
Laço
Laço
Laço
Enlaça seu Eu ao meu
Chama
Chama
Chama
Vida sem trama
Laço sem nó
Prisão aberta
Liberdade cativa
Vôo
Voa
Voamos
Asas do amor
Rumo ao Infinito
Phoenix imortais...

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