

Sua mão esbarrou em meu seio
ou você percebeu meu
desejo?
Finjo ser acidental este toque tão esperado?
Devo demonstrar que gostei?
Deus, temo ter sido casual!
Seu olhar diz que quer mais ou minha vontade lê demais?
O que fazer? Devo calar meu tesão? Revelar minha
intenção?
Maldito jogo ! Finjo nada sentir nem notar,
quando quero em seus braços estar!
Quero seus beijos,
brincar com sua língua e com seu fogo.
Quero fazer amor
!
O elevador não chega...
Você do meu lado, meu desejo
aprisionado.
De quem a idéia de usar a escada? Sua? Minha?
Não sei, só sei que adorei!
Respiração ofegante, silêncio cortante, descemos alguns
degraus...
Você se adianta, é hora da janta.
Vamos vira para trás! Simularei um tropeço e em seus
braços cairei!
Olho fixo em sua nuca - dizem que isto faz que o outro
se vire.
Vira! Vira! Preciso que me ampare!
Sentindo o calor do seu corpo, saberei seu desejo.
Você se vira, olha no fundo dos meus olhos,
nossos
desejos se encontram, termina o jogo,
começa um caso de
amor.
Não há tempo de em casa alguma nos abrigar,
estou já abrigada em seus braços, aqui é o lugar.
A escada de incêndio, rota de fuga para do fogo escapar,
vira cenário onde corpos ardem, labaredas crispam o ar
e
se ouvem suspiros, gemidos, gritos, nada de dor,
nenhum
fogo a apagar.
Quanto tempo se passou? Dias, meses, verões?
Não sei,
mas opto sempre pela escada,
o elevador não tem nosso
cheiro de cio,
não guarda o calor dos nossos beijos,
não
tem gotas de amor no chão.
Nunca me esquecerei quão loucos fomos
e quão loucamente nos entregamos.
A escada confidente hoje ouve meu choro e meus ais.
Você se foi para nunca mais.
26 de agosto de 2003
19:11hs

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