

Não é meu racional tomando forma,
Nem meu emocional consciente.
É o que não sei!
É surpresa,
Defesa que me pega indefesa,
É catarse,
Necessidade de me ouvir,
É novidade...
Isto!
Para mim é novidade!
Imagens,
Palavras,
Atos,
Fatos,
Medo,
Boatos,
Povoam minha cabeça...
Corro para escrever sobre eles...
Inicio com alegria
Não raro termino em nostalgia...
Começo com dor
Descrevo o ardor...
Sou tomada de assalto
Sem nem dizerem: "Mãos ao alto!"
Rimas,
Confissões,
Disparates,
Confusões,
Palavras que se repetem,
Outras há muito esquecidas,
Temas,
Dilemas,
Lirismo,
Problemas,
Tomam conta da minha pena à minha revelia!
Comunico
Rebeldia,
Vazio,
Euforia,
Desassossego,
Paixão e
Nenhuma acomodação...
É parto com dor?
Nem sempre.
É implosão da solidão,
Explosão do amor,
Submersão do desencanto,
Emersão de filigranas amorosas...
Não escrevo para ninguém,
Mas converso com alguém!
Um alguém que de mim se apodera
Vestido de belo ou de fera,
Maquiado de humor,
Rosto lavado de dor.
Sorriso da noite
Em boca de açoite.
Boca de mar
Em sorriso lunar.
Leio e me espanto...
Pensei em canto,
Escrevi em pranto,
Desnudei meu mais profundo encanto...
Estupefata vejo o escrito...
Calmo delírio,
Preto no branco
Que colore meu desencanto.
Juro!
Vou só escrever
-É compulsivo e necessário-
Mas ler?
Só se depois de você ler,
E se em seu olhar
Eu puder ver,
Brilho de festa,
Torpor e calor,
Alegria marota,
Desejo insinuado,
Vontade de viver de amor...
17
de outubro de 2001
03:34hs

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