

Sei que algo está morrendo
Sei que algo está nascendo
Sinto um bem estar
Sinto um mal estar
É um ficar achando que fui
É um ir achando que fiquei
Olho no espelho não me reconheço
Sem olhar no espelho me esqueço
As coisas mais simples
Aquelas que sempre me rodearam
Incomodam quando as olho
Novos objetos não imagino me rodeando
Minhas roupas íntimas penso que pedi emprestado
Mas não acho que outras me agradariam
Sapatos, bolsas, vestidos
que entopem o armário embutido
Não me despertam atenção
Os caminhos que percorro para ir a lugares rotineiros
Parece que nunca trilhei
Mas outros caminhos sinto que não encontrarei
Pareço numa encruzilhada jamais encontrada
Creio que estou dando novos passos
Mas que, de alguma maneira, uns são sobrepassos
Assemelha-se a uma mudança de compasso
E a mesma música a me guiar
Reajo com tolerância ao que não tolerava
Me irrita o que antes me encantava
Irrito-me menos vezes
Me calo mais e mais
Para onde estou me levando?
Terei a morte me esperando,
Ou sou um ser a reviver?
Terei a vida me abraçando
Ou sou alguém que quer morrer?
Nada sei responder
Nem ouso me atrever
Minha pele não veste minha alma
Estou em carne viva
Fácil de sofrer
Estranhamento
Me estranho
Sou estranho no meu mundo a correr
Estranhamento
Me sei
De mim eu sei, e insisto em não me conhecer
Estranhamento
É só um novo momento
Um adeus ao tormento
A vida querendo viver
Estranhamento
É a hora da mudança
E, amante da dança,
De mais dança me embeberei
Estranhamento
Não, não é novidade
É que morre a saudade
E no futuro
Só, não me quero ver
Estranho é olhar para estranhos
E sorrisos recolher
Estranho é deles sentir o gosto
E sorrisos doces devolver
17 novembro de 2003
01:33h

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