Decido sempre a favor do amor
Se é o amor certo
Se existem vazios a preencher
Se o outro não consegue a mim se entregar
Se não é capaz de mais me conhecer
Se a intimidade não quer dividir
Se chega sempre com gosto de partir
Decido mais amor ofertar
Quero esgotar todos os meios
De dizer quero você
Vale a pena me querer
Não se vá antes de verdadeiramente nos achar

Ah! Incautos os que de amar desistem!
Ao decidirmos contra o amor
Estamos decidindo tirar da vida o sabor
Abstrair das noites o luar
Do sol retirar o calor
Do ar suprimir o frescor
Das praças desmontar os bancos
Nas estradas não ter paisagem
Fazer da vida uma banal acomodação
Ficar surdos dos céus a mensagem

Decido pelo amor
Quero derrubar tabus
Soltar do navio a âncora
Tirar dos pés as amarras
Flutuar em fantasias
Me deliciar com novas experiências
Permitir conhecer a mim e ao meu corpo
Com o toque mágico de outro corpo
De um homem que viajante chegou
E se tornou meu amante
Não mais errante ou mero visitante
Mas, quem sabe,
O derradeiro amor

Eu decido pelo amor
Se o outro pelo amar não decidir
Vou chorar por um tempo
Mais por ele que por mim
Porque ao escolher ir embora
Me disse adeus
Porém de amar desistiu




21 de janeiro de 2004
12:21h

 

 

 

 
 
 

 

 

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