

Medo, medo , medo...
Desejo, desejo, desejo....
Ai que medo de amar!
Ai que desejo de amar!
Estou parada, bloqueada por estes dois
monstros !
Quem me dera amar e não medrar!
Quem me dera a entrega mansa!
Quem me dera mergulhar no sonho real !
Fujo de mim mesma.
A carência potencializa a intensidade
do desejo.
Minha forma de amar é por demais
complexa!
Escrevo sem saber o que pretendo.
Quem sabe desabafo... Quem sabe
fuga...
Quem sabe forma de entender este
vulcão interno que me ameaça.
Quem me dera! Quem sabe?
A quem me dirijo?
Nem sei mais fluir, fluidificar...
Nem sei se tem algo que sei.
Onde estou? Quem sou? Pra onde vou?
Sou?
Malditos conflitos d’alma !
Maldita consciência que me faz
inconsciente!
Maldita inconsciência que me faz
consciente!
Maldita vontade de liberdade!
Maldita prisão!
Maldito este momento bendito de fome
de amar!
Bendito seja o amor não maldito!
Bendito o desejo que pode ser
realizado!
Bendito você que me chamou à vida!
Benditos seus desejos que me fazem
fêmea!
Benditas suas indagações
que me fazem inteligência!
Bendito seu dividir que me me faz
humana!
Bendita sua sedução que me faz mulher!
Bendita esta vontade de ser o que
espera!
Bendita sua voz que canta sonhos!
Benditas as palavras ditas com
carinho!
Benditos os silêncios que me penetram
o ser!
Tem nexo? Ou é só reflexo?
Tem sexo? Ou é só trama?
Tem fogo? Ou é só jogo?
Tem mais? Seria demais!!!!!!!
De medo me visto
e corro mais de mim que de você!
De sonhos me enfeito, é este meu jeito
de ser!
De medos me armo,
pois sem armadura me entrego a você!
De você me visto
e olho no espelho a me reconhecer!
Sou fêmea madura, regada a vontade,
já sinto saudade sem lhe pertencer!
Me abraça, me enrosca,
me mata a vontade de lhe conhecer!
Me cobre de beijos,
me lava de língua, então vou chover!
Eu chovo, tu choves....
mergulha na chuva que faço pra você!
Me assanha, me lanha, me abusa, me
usa...
nasci em você!
Meu Deus que conflito!
Nem sei me entender!
1999

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