A carência que vem depois do fim
Tem consistência
É fardo pesado demais pra mim

Vazio que pesa
Oco doído
Espaço do nada
Dor

Pior é que ocupo o nada
Com todos os momentos
Que vivi com o ainda meu amor

Vou do filme com pipoca
Ao jantar com champanhota
Do caminhar à beira mar
Aos beijos do depois de amar

Revivo o pulsar do meu coração
apaixonado
E as mil formas que juntos descobrimos
pra nos entregar

Vazio preenchido de saudade
Oco cheios de vontades
Nada que tudo sente
Ausência presente
Desejo em corpo quente
E carente
Quase doente
Infectado por você

Anseio por chegar a hora
De você de mim ir embora
Espero encontrar na poesia
Um jeito bonito de transmutar
você em ilusão
Provando com a rima
que era tesão a esmo

Nada havia de concreto
Só a fantasia da poeta
Cuja imaginação fez nascer e morrer
Um inexistente amor
Porque carente de tema
Precisava da dor do desamor
Para poesia do coração brotar

Broto de flor
Murcha prematuramente
Não chegou a ser rosa ou jasmim
Foi só princípio e fim


06/08/2001


 

 


 


 


 


 

 
 
 


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