Brancos têm sido meus dias
Vazios de cor
Calendário sem números
Caderno sem escrita
Tela sem tinta

São claros
Límpidos
Possuem isenção
Dias brancos
Passados em vão

Brancos e sem paz
Brancos e sem nuvens
Brancos e sem lírios
Apenas brancos
Nada mais

Quisera poder pegar
O verde dos seus olhos
O prata do luar
O dourado do sol
O azul profundo do mar
Para em suave aquarela
Cores em minha vida pincelar

Depois da aquarela
Lilases iriam brotar
Viriam também os rosáceos
Tons da tarde a findar

Entusiasmada eu ficaria
E tons berrantes surgiriam
Em cada lugar

O vermelho da paixão
O ocre da terra do meu caminhar
O castanho dos olhos de minha neta
Que sempre enseja o versejar
Meu coração seria branco luar

Então eu usaria rubro baton
Vestiria amarelo antecipando o verão
Preencheria o calendário com números caramelados
E usaria tinta preta
Para encher o caderno vazio
Com as cores quentes do meu viver laranja labareda



25 de agosto de 2003
18:54h

 


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


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