


Um dia fui
rosa
Pétalas aveludadas
Tom vermelho sangue
Delicada
Frágil que com meus espinhos
Não me protegia
É que cria nas pessoas
A todos olhava sem medo
Ciente que não me machucariam
Perfumava os lugares
Com o odor do meu sorriso
Embelezava com doces palavras de amor
E à noite a Deus rezava
Dando graças à vida
E por não ter dissabor
Li o Pequeno Príncipe
E a rosa que ele amava
Me imaginei
Supus que todo homem tratava
Sua rosa com aquela devoção
Infinda dedicação
Gostei do jeito do Príncipe
Por aquela rosa não me encantei
Era arrogante
Fazia chantagem emocional
E com o generoso Príncipe
E seus cachos dourados
Pouco se importava
Cresci vendo nos homens aquele Príncipe
Do jeito daquela rosa
Nunca me aproximei
Acreditava que uma flor
Tem que ser sinônimo de beleza
Exalar amor
Dispensei a redoma de vidro
Troquei-a por livro
Arranquei os espinhos
Meu Pequeno Príncipe esperei
Ingênua não sabia dos sapos e das raposas
Desprotegida
Nua de defesas
Ao amor me entreguei
Ah! Quanto e por tão poucos me apaixonei!
No início eram príncipes
Requintados, elegantes,
Cheios de mesuras e ternuras
Galantes
Sedutores
Acenando com interminável amor
Daquela rosa menina
Guardei algumas pétalas
Que secaram pela desilusão
Guardo-as numa caixa
Presa com laço de fita
E mesmo secas são bonitas
Lembranças murchas de um sonhador
Não me chamem de rosa
É certo que não atenderei
Rosa é feita de meiguice
E hoje eu sei que é tolice
Ser meiga num mundo
Sem Príncipe
Onde raposas espertas
Dissimulam desejos
E
Depois de roubado o beijo
Partem para buscar outra parreira
E uma nova uva encontrar
Sou Almodóvar
Magda
A ousada mulher
Que sempre diz
O que sente
E
Guarda da rosa
O jeito aprendiz
E o sonho
De achar seu Príncipe certo
E voltar a ser
Rosa
Menina
Crédula
Amante
Feliz
16
de janeiro de 2003
12:12h

Nota da
Autora:
A Rosa e o Pequeno Príncipe referidos no escrito
são os personagens principais do livro
de Saint-Exupery
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